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Atravessando o Gana: a vida na estrada

Atravessámos Gana em direcção ao mar. A época das chuvas continua, em especial nos países que vamos atravessar em seguida. Outros viajantes que vieram do norte aconselharam-nos a esperar. Dizem que em algumas partes são necessários 6 dias para fazer 320 quilómetros. Além disso estamos cansados, não só por causa da malária, mas também da vida da estrada.

Encontrámos abrigo num pequeno loudge chamado Green Turtle. Pagámos apenas 4 euros por dia para acampar junto ao mar. Temos chuveiros, casas de banho e sentimo-nos mais seguros que a dormir no mato. Para nós é um luxo.

A vida da estrada é cansativa. Em especial quando o dinheiro é pouco, dormir no mato não é uma opção, mas sim uma obrigação. Ora vejamos um dos nossos dias na estrada. Não são todos assim mas muitas, muitas vezes são.

De manhã bem cedo, normalmente antes do nascer do sol, levantávamo-nos. Víamos a tenda, tirávamos o garrafão de água, o café, açúcar, o fogão, as cadeiras e o pão se o tivermos. Bebemos um café, comemos o que houver, metemos tudo dentro do carro e partimos. Uma ou duas horas depois estamos cobertos de poeira.

Depois temos os nossos amigos polícias, que em cada posto de controlo estão à espera de dinheiro. Não, nós não lhes damos. Mas cansa ter a mesma conversa, o mesmo jogo do gato e do rato, do não podes passar se não pagares, dos sorrisos falsos, das palmadinhas nas costas. Quando na verdade o que queres é mandá-lo à merda, espetar-lhe o machado na tromba e acabar com a conversa. Desculpem-me, mas cansa.

Depois temos as avarias, os pneus furados, que não são todos os dias, mas são sempre demasiados. Quando não há água para nos lavar, o óleo e a poeira misturam-se criando um cocktail de sujidade. A meio do dia estamos a pensar o que iremos comer nessa noite. Vamos ao mercado comprar comida. O peixe e a carne estão cobertos de moscas. Preferimos comprar uma galinha viva. A meio da tarde, estamos à procura de um local para dormir. Por vezes passávamos 2 horas ou mais para encontrar um bom local. Um bom local, e um sítio sem pessoas, onde nos sentisse-mos seguros. Abríamos a tenda, tirávamos o fogão, os garrafões de água, as panelas, as cadeiras e a mesa. Matávamos a galinha, depenávamos, limpávamos, fazíamos uma fogueira e assávamos. Isso tudo sem contar quando tínhamos de lavar a roupa, a máquina de lavar foi um grande invento.

Então porque fazem essa vida? Porque não ficam em casa, a comer e a dormir bem? Provavelmente estão agora a perguntar. Não nos estamos a queixar da nossa vida. Apenas estou a descrever como ela é. Se queremos ser engenheiros, ou médicos ou seja o que for temos de sofrer para isso. O mesmo se passa com a nossa vida.

Muitos de vocês pensam que a nossa vida é um mar de rosas. Ainda mais agora que temos alguns patrocínios. Aos quais agradeço profundamente a sua ajuda. Em especial à empresa portuguesa Visibilidade.net, que faz e actualiza o site regularmente. As outras empresas são, Mantje Texel, Meubelmakerij, Casper de Graaf. Essas mesmas empresas patrocinaram alguns brinquedos, roupa, medicamentos e agora em Gana, 64 livros para a escola Better Life school.

Para aqueles que querem saber quanto dinheiro as companhias dão, aqui vai, no total 55 euros por mês. Como vêem não é o dinheiro que nos move. O que nos move é o sonho e o desejo de concretizar o sonho.

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